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19 novembro, 2016

Reflexões de uma dorameira: Trouxas em dramas




Olá, dorameiros e dorameiras!


Em breve completarei um ano na vida de dorameira. Não devo comemorar na Coreia do Sul, mas, sim, escrevendo texto para o blog comendo miojo (mas do coreano já que achei uma mercearia aqui no Rio de Janeiro que vende)..rs



Por mais que seja uma diversão, eu procuro sempre ou tirar alguma lição de cada dorama, pois sempre há aquela frase marcante ou comportamento e em alguns fico mais pensativa e em outros não. Full House(link aqui) foi um dos que eu comentei aqui no blog até.

Logo no meu comecinho de dorameira, eu assisti ao dorama "Secret/Secret Love". Pensei sobre a atitude da protagonista, mas foi coisa que passou. Mas quando há pouco tempo assisti ao "Nice Guy/The Innocent Man", eu só consegui pensar em uma palavra: TROUXA!
Trouxa do início ao fim e trouxa eu de ter achado que pelo menos o fim do dorama seria decente.

Secret Love (2013)

Passado o desabafo da palavra "trouxa" (eu precisava...rs), veio o questionamento de qual o limite do amor e/ou da amizade. Em ambos os doramas, a atitude dos protagonistas foi a de assumir um crime que não cometeram como prova de amor. Talvez assumir um crime que não cometeu seja o auge de ajudar um amor e/ou um amigo.

Não creio e nem considero justa tal atitude. É egoísmo de quem pede esse tipo de ajuda ou a aceita. Mostra que não merece o amor daquela pessoa. Tanto não merece que em ambos os doramas já na sinopse mostra que a vida seguiu muito bem para o verdadeiro criminoso. Ademais, não é só a pessoa que vai sofrer no lugar da outra, mas também os amigos, os familiares pensando que seu ente querido é um criminoso ou então tendo que calar e observá-lo pagar por algo que ele não fez.

Nice Guy (2012)

Como citei, assumir um crime que não cometeu é praticamente o auge de uma chamada "prova de amor", mas no dia a dia se não passou conosco, já vimos ou ouvimos relatos do tipo "se você me ama, vá a tal lugar comigo; se você me amasse, não falaria com fulano, não usaria tal roupa, etc." Muitas vezes para evitar conflito e por não ser "nada de mais" o outro acaba cedendo. Ceder em algumas situações faz parte do relacionamento e do convívio a dois. Devemos nos ater para quando esse ceder não é acabar por ser uma forma de chantagem emocional, de fazer algo que não queremos, ou, em casos extremos como nos doramas em questão, assumirmos algo que não fizemos para levar a culpa no lugar do outro.

Há diversas formas de se apoiar uma pessoa que fez algo errado como estar junto, conversar, visitar na cadeia se for o caso. Estar "ao lado" e não "no lugar". Isso é mostrar amor, amizade e ao mesmo tempo se respeitar.

A título de conhecimento, aqui no Brasil autoacusação falsa é crime previsto no Código Penal:
Art. 341 – Acusar-se, perante a autoridade, de crime inexistente ou praticado por outrem:
Pena – detenção, de três meses a dois anos, ou multa.

Abraço a todos.

Paty

30 março, 2016

Filosofando~ análise de Kill Me, Heal Me por uma amiga dorameira

Olá gente, bom dia!

Sei que o blog já está "saturado" de Kill Me, Heal Me (eu fiz um post sobre ele aqui e falo sobre ele nesse post da Ana), mas meu amor imenso por esse dorama é tão grande que não me canso de falar dele!

Uma amiga dorameira, a Vania Velloso, fez uma pequena, mas inovadora, análise sobre o dorama em questão e quero compartilhá-la com vocês. Lógico que ela me permitiu fazê-lo =) segue:


Antes de começar a escrever sobre o drama - que ao que tudo indica foi o que mais impactou o ano de 2015 - devo me apresentar. Sou arquiteta e urbanista, fiz antropologia social como convidada no mestrado, tenho pós-graduações plenas em Filosofia e Arte, Gestão Socioambiental e Desenvolvimento de Territórios. Gosto de pintar, cozinhar e escrever. Em uma fase da vida fiz e vendi bem meus quadros sem muita propaganda, através dos amigos e exposições. Vivi na iniciativa privada durante anos e trabalhei muito a questão de educação pela filosofia, ética e sustentabilidade. Há pouco mais de dois anos me interessei em estudar sobre a Ásia, por seu desenvolvimento, a História de mais de 5000 anos, culturas, povos... E caí em queda quase livre na Coreia do Sul.
Por sugestão, comecei a ver que eles eram incríveis no turismo e no entretenimento, e como também se reinventaram pela educação.  Foi um passo para entrar no mundo louco dos dramas da TV e dos filmes.  Sem falar do k-pop (músicas e shows), a TV e filmes internos movem quase 1,5% do PIB, pelos dados de 2011. O k-pop teve um retorno em termos de ganhos líquidos de 200 milhões de dólares em 2011 e cresce todo ano cerca de 70%. Dá para imaginar o que essa indústria gera, o que oferece de empregos, o que vende em propaganda de produtos, etc.  Pode ser que vocês, leitores e leitoras, não sejam muito ligados neste mundo econômico, mas é sempre bom lembrar porque este país faz tanto sucesso, hoje, no mundo.   E queremos até aprender coreano!
Os famosos atores - que tanto admiramos e seguimos - ganham para trabalhar em dramas valores comparados aos EUA - de 25 até 200 mil dólares por episódio. Lee Min Ho foi quem mais faturou, junto com Kim Soo Hyun. Entre as meninas, a Bae Suzy e a sensacional atriz Hyun Jun Jin.
Na minha singela opinião isto se dá porque a televisão e o cinema sul-coreanos encontraram a fórmula alegre, sensível, romântica, dramática e visual que impulsiona mais ainda a estória do grupo ou das comunidades do entretenimento para agradar duas grandes faixas etárias de consumo neste vasto mundo: meninos e meninas adolescentes jovens até uns 22, 24 anos e as ahjummas de 39 até pós-60.
Por sinal, o título de Kill Me, Heal Me foi bem sugestivo porque 2015 foi um ano kill (relacionado à morte) ou crazy (louco) para maioria das pessoas com quem converso, seja no aspecto político, emocional, mental ou espiritual. De certa forma, nos faz pensar como nós nos matamos (metaforicamente falando) a cada dia, e como desejamos encontrar ferramentas do heal (relacionado à cura) com nossos próprios meios ou através de outras pessoas que podem nos ajudar, seja de forma profissional ou pessoal. O verbo heal tem uma conotação maior do que um simples curar. Heal é curar cuidando, através de um processo - qualquer que seja o método.
Agora vamos para uma análise filosófica e divertida (assim espero) de Kill Me, Heal Me que realmente me impactou, assim como It’s Okay, That’s Love. Eu tenho certeza que gosto de "dramas-cabeça" (que envolvem Psiquiatria), porém estes dois tinham roteiro, linguagem boa e acessível, produção, atores e direção de arte/geral impecáveis. Sem aquela famosa mania dos coreanos de falhar em continuidade e de não editar bem as cenas.

KMHM tem os clichês dos "dramas-cabeça", de hospital e tudo mais, que já esperamos e sabemos. Porém, a diferença está na atuação dos protagonistas (ou melhor, dos diversos personagens que o ator Ji Sung interpreta tão bem). A estória de KMHM apresenta bem a Coreia do Sul e mostra o que vende em termos de romances e tragédias.  Naquele país a relação com a família, hierarquia, dinheiro, poder, mulher/homem que deve casar "bem" ou casamentos arranjados, inferioridade feminina, ausência total de toque e intimidade pública ou mesmo na frente de amigos e familiares, e a subserviência ainda contam muito. Para nós, parece coisa medieval.... O tempo também é algo muito importante na relação dos coreanos: passado, presente e futuro. Isso tudo tem a ver com o budismo e a Filosofia Han  que moldam muitos coreanos.
Não sei se o autor tem alguma bagagem filosófica, mas o roteiro é bem conectado com a alegoria da Caverna de Platão e o porão - tão presente no drama e essencial para o desenvolvimento do mesmo - é o lugar da ausência de luz e de possibilidade de vida, onde nos refugiamos no medo de ser e de acontecer. O nosso lugar das sombras. É bom que os dorameiros possam ver um drama além do vício, do entretenimento e dos atores lindos.
O conceito de fundo que o autor nos traz é o velho ditado "quem ama, cuida". É a protagonista que cuida, ela escolheu a profissão de cuidar (Medicina/Psiquiatria), o faz  para sua liberdade pessoal, para o bem dos pacientes e no encontro do amor por todas as personalidades que o protagonista apresenta.  O amor (e seus sentimentos/comportamentos periféricos; ciúmes, vaidade, inveja, infantilidade, proteção...) é tudo aquilo que Ji Sung interpreta. E quantas vezes fomos assim como ele nas nossas relações? Eu parava e pensava sobre os amores que tive e os que perdi. Sobre os cuidados e os descuidos durante minha existência. E o drama correndo sem parar! Lógico que para efeito de trama é tudo uma hipérbole, mas somos exagerados e infantis quando nos afundamos e emergimos no, e pelo, amor. Não posso deixar de comentar a atuação do irmão da médica e a permissão que é atípica na Coreia do Sul e na maioria dos países do mundo: uma  pseudo-relação incestuosa. Isso tudo é muito velado por lá! De qualquer forma, o irmão tem um a caráter adorável. Na verdade, ele tem o papel de contador de histórias ou daquele semideus que joga os dados da história dos personagens.    A conexão de tudo que acontece na trama se faz por ele, pelo pai da médica e pelo secretário do prota, que conhecia o que precisava ser desconhecido ou escondido.
A atriz principal é a luz que ilumina a estória. Começa singela e vai ganhando força. É incrível e competente como a Hwang Jung Eum conseguiu fazer uma personagem tão fraca e forte ao mesmo tempo versus as personalidades interpretadas por Ji Sung. Cada personalidade tem a mesma influência na estória.  Os atores de apoio da trama coreana também são muito bons, o que dá estofo em todo drama. Até as crianças são profissionais. Isto se dá, segundo uma pessoa amiga que conhece o país, devido à força que eles dão para a educação e o trabalho profissional. E não é à toa que o mundo está vendo o país de forma diferente e consumindo seus romances, épicos, língua, ideogramas, culinária, música e toda beleza que a península nos apresenta.
E aí, o que acharam da análise? Particularmente, achei bem interessante. E saber um pouco mais da Coreia em si foi algo muito válido também. Concordam? Ah, e já viram Kill Me, Heal Me?

Até a próxima!

My *-*